Como já tenho contado anteriormente, passo uma boa parte do meu tempo no CNL e um dia destes vinha eu atarefado rua acima quando dou com o BBRL e conversa puxa conversa, já tenho barco para a regata Luanda - Lobito - Luanda, e assim ficou combinado. Entretanto o stress do costume, e por falar em stress do costume, como já tinha contado, o Jeep estava empanado, um Nissan Terrano II, e toca de ir falar com a Nissan e não é que me respondem do outro lado "...que carro é, um Terrano, nós não podemos arranjar esse carro, nós não o vendemos...". Estão a imaginar a minha cara do outro lado do telefone e a pensar, eu devo ter ouvido mal, afinal eu telefonei para o representante da Nissan em Angola e feito parvo pergunto, "...desculpe, mas vocês não são os representantes da Nissan??????..." e repondem-me com a maior das tranquilidades "....somos sim, mas como não vendemos esse carro em Angola, não o arranjamos, só arranjamos os carros que são vendidos por nós.....", o que é que uma pessoa responde a isto???? respira fundo 1589 vezes, desliga com a maior das delicadezas, e o resto ponham a vossa cabeça a imaginar. Claro que o carro não foi arranjado na Nissan, queriam impingir uma bomba de gasóleo, quando na oficina da esquina o Jeep ficou a andar com a troca de um relé!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! e mais, e quando é que o jeep pode entrar para reparar???? respondem do outro lado "..., no mínimo só daqui a 3 semanas e não sabemos quando é que irá estar pronto...."
Entretanto, nas preparações para a viagem, aparelhar o barco onde não participei porque tinha o AV e o TV em Luanda e como de costume não tinha tempo para respirar, mas lá consegui ajudar um pouco com as compras de supermercado, muitos líquidos, comida enlatada, fruta, carninha da boa e muitas muitas outras coisas, ou seja a coisa ficou por cerca de 370 aereos a dividir por quatro, sim, que aqui o supermercado com um carrinho pequeno cheio faz a festa de uma maneira, que só apetece dizer uns palavrões, mas ok, não é todos os dias.
Finalmente o dia da partida, malinha pronta e muito creme protector na bagagem, velas a bordo e toca a sair que a largada é na contracosta e ainda temos que sair da baía e percorrer a ilha toda, quando estamos quase a chegar à zona da largada, o motor começa a falhar e morre, pelo menos não podem dizer que se fez batota metendo motor, porque não o tinhamos mesmo, e mesmo quase sem vento lá conseguimos chegar à largada a horas onde tivemos de esperar mais de uma hora às voltinhas por uma das embarcações que não tinha largado da marina porque veio-se a descobrir que tinha uma rede enrolada na hélice, mas lá acabou finalmente por chegar e .... largada, onde nos portámos muitísimo bem, onde acabamos por partir logo em segundo na nossa embarcação de cruzeiro familiar rápido, posição essa que a conseguimos manter ao longo de todo o Mussulo tendo começado a perder para o MF, mas que era perfeitamente compreensível dada a grande diferença entre as embarcações, e entre cinco embarcações estávamos a conseguir manter um mui honroso terceiro lugar em tempo real com uma orça de meter inveja a muito barquinho. Chegada a noite, toca a ligar o radar, que estávamos em cima da barra do Kuanza e abundam por aqui muitos barquinhos de pesca artesanais que costumam andar completamente às escuras. Aliás, aconteceu uma episódio algo engraçado com o D. que apanhou um barco desses que estava fundeado e cujo cabo da âncora foi apanhado pelo patilhão, de repente só vê um desses barcos a toda a velocidade em direcção ao barco e grita para dentro do barco, tragam a kamarov, tragam a kamarov que estamos a ser assaltados, ...., pois eu imagino os gajos dentro do barquito que foi apanhado, o cagaço que não devem ter apanhado!!!!!!!!!!!
Entretanto no nosso cantinho, tudo calmo, ou melhor dizendo, calmo demais, porque ficamos sem vento e decidimos dar bordo para o largo para tentar apanhar uma brisa. Quanto aos quartos, ficou o PC com o BBRL das 21h00 às 02h00 e eu e o NF com o quarto das 02h00 às 08h00.
A noite estava uma maravilha com um céu estrelado de encher o olho a qualquer um, porque embora estivessemos com quarto minguante a lua nasce muito tarde nesta latitude. Pouco a pouco foi-se levantando um pouco de vento e quando estava eu ao leme aí por volta das 04h00, levantou-se um pouco mais de tempo e com todos os outros a dormir fui tentando orçar ao máximo com o pouco vento que vinha, mas que deu para deixar terra para bem longe, quando os outros acordaram de manhã estávamos a bem mais de 35 milhas da costa, largo o leme por volta das 08h00 e de repente, nem uma brisa, completamente sem vento e à deriva, e todos contentes a dar 360º ao sabor da corrente que ainda por cima nos arrastava para Luanda outra vez, passado um bocado e fartos daquela pasmaceira, toca a meter o pau de spi na genoa para tentar apanhar o máximo de vento possivel para sair daquele buraco enquanto o NF tentava arranjar o motor, entretanto fui dormir e quando acordei já navegávamos e até já tínhamos motor para recarregar as baterias, o NF teve de andar a soprar nos tubos de admissão que estavam todos entupidos!!!!!!!!!!!
O certo é que deixámos de ver os nossos concorrentes, durante a noite tinhamos nos afastado todos uns dos outros, o T que ia à frente com uma grande vantagem pensamos que estaria a fazer bordos junto a terra, quanto aos outros, tínhamos visto alguns a vir para fora como nós, mas não estávamos mesmo a ver ninguém e lá seguimos, umas vezes com vento outras mesmo sem vento e tivemos mesmo de meter motor junto a terra para nos afastarmos porque andávamos novamente à deriva a fazer os nossos famosos 360. Finalmente no Domingo vemos durante uma tarde bastante ao largo e pelo tipo de velas com a genoa a 7/8 cremos que seria o D, entretanto almoço, com um ventinho maravilhoso, uma bolina cerrada linda e uns bifinhos da alcatra para o almoço com esparguete debaixo do toldo improvisado, que o sol cá por estas latitudes torra e não é pouco. Passado um pouco a vela que tínhamos visto aparece bastante à nossa proa e pensamos cá para nós que aquele barquinho não ia de maneira nenhuma só à vela, porque era impossível com a velocidade que estávamos a fazer qualquer um dos nossos opositores se afastar tão rapidamente de nós, ao cair da noite temos a luz de mastro a cerca de 20 milhas à nossa proa.
Segunda de manhã e a chegar ao lobito sem quase vento nenhum a fazer 1 a 2 nós e muito muito peixe em redor do barco, e finalmete chegados vemos que somos a quarta embarcação a chegar e fundeado toca a ir beber qualquer coisa ao Clube do Lobito e tomar um banhinho de piscina de água salgada e relaxar antes de viajar para Luanda de carro, que o trabalho não perdoa.
No fim-de-semana seguinte lá partimos eu o PC e o NF para fazer a volta, estava tanto vento que ao sair da baía a motor lá ficamos novamente sem motor e totalmente parados ao sabor da corrente, desta vez foram-nos rebocar passado um bocado para chegarmos ao largo e apanhar algum vento, e feita a largada lá fomos nós todos contentes, com borrasca à noite e bonança durante o dia, que só navegávamos a 2 nós porque estamos mesmo em cima da corrente fria de Benguela que nos levava para Luanda, desta vez e chegados a segunda, pusemos o motor porque daquela maneira nunca mais chegávamos a Luanda para trabalhar, embora a borrasca não tenha sido nada de especial, mesmo assim achamos um peixe morto em cima do convés durante a manhã.
Ao chegar a Luanda, uma lixeira autêntica à tona de água e muito muito gasóleo, podem crer que não me apanham a banhar novamente nas praias da ilha.
Entretanto este fim-de-semana passado combinou-se uma jantarada em casa do cozinheiro M para abrir a garrafa de Medronho que tinha trazido de Portugal e que ainda estava por abrir à espera que o grupinho estivesse todo reunido, como de costume o convívio foi muito bom e acabei por lá dormir assim como o Chefe L, tendo ficado os dois para o Cozido à Portuguesa do almoço de Domingo, acabamos por ficar para jantar com um bacalhau assado na Grelha e muito azeitinho e para rematar, com uma estrondosa vitória do Benfica sobre o Porto,
Entretanto, hoje lá fui às 6h00 buscar o AV e o TV para mais uma semana non stopo daquelas, é como se diz, conhaque é conhaque, trabalho é trabalho.

